Da calmaria em Sergipe para a confusão em Brasília

Coluna Rita Oliveira – 01 julho

 

Estamos chegando em julho, quando faltam um ano e três meses para as eleições, e a política em Sergipe segue em calmaria. Há uma grande expectativa com relação a setembro, por conta do governador Belivaldo Chagas (PSD) ter declarado que na segunda quinzena começará a discutir com os aliados o pleito 2022.

O agrupamento governista continua com cinco nomes para disputar o governo: o senador Rogério Carvalho (PT), os deputados federais Fábio Mitidieri (PSD) e Laércio Oliveira (PP), o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) e o conselheiro Ulices Andrade.

Pela oposição, o senador Alessandro Vieira, que permanecerá no Cidadania, segue como o único pré-candidato ao governo. Está embalado com o destaque que está tendo nacionalmente na CPI da Covid do Senado, junto com Rogério Carvalho.

Teve uma turbulência com a deflagração de uma ação da Polícia Federal, em 22 de junho deste mês, denominada Operação Transparência, com a finalidade de  investigar o uso de R$ 4,16 milhões em contratações com dispensa de licitação, pela Secretaria da Saúde de Sergipe. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão nos municípios sergipanos de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Propriá, além de São Paulo (SP).

Enquanto a política em Sergipe segue na calmaria, Brasília ferve com o superpedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, protocolado nesta quarta-feira, 30, na Câmara dos Deputados, pela oposição e movimentos sociais.   Cerca de 120 pedidos foram reunidos em um só, apontando 23 tipos de acusações.

O pedido de impeachment ocorre em meio à denúncia feita pela Folha de S.Paulo de que Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, teria afirmado que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde. Seriam comprados 400 milhões de doses da AstraZenec.

Dominguetti teria dito que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, no dia 25 de fevereiro. Roberto Dias já foi exonerado do cargo.

Na sexta-feira (25), na CPI da Covid, teve o escândalo da vacina indiana Covaxin. O deputado Luis Miranda (DEM-DF) disse que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi o nome atribuído pelo presidente Bolsonaro às supostas irregularidades na compra da Covaxin. Segundo o deputado e o irmão, o servidor Luis Ricardo (Ministério da Saúde), Bolsonaro foi alertado sobre as suspeitas que cercam a negociação da Covaxin, cujo contrato será investigado pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal.

Ainda tem as graves revelações feitas no decorrer da CPI da Covid, como o descaso do governo Bolsonaro para compra de vacinas e a suspeita de “aconselhamento paralelo” a Bolsonaro, entre outras.

Agora é aguardar o desenrolar dos acontecimentos e consequências…

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Na CPI da Covid 1

Em razão da gravidade das denúncias com relação as vacinas, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, e Luiz Paulo Dominguetti Pereira, foram convocados para depor na CPI da Covid. Dominguetti prestará depoimento antecipado nesta quinta-feira (1º) e Barros na quinta-feira (8) da próxima semana.

Na CPI da Covid 2

A iniciativa do depoimento de Ricardo Barros na CPI partiu do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), após o deputado Luis Miranda (DEM-DF) ter declarado aos senadores que o presidente Jair Bolsonaro sabia que Barros estava envolvido em supostas irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

Na CPI da Covid 3

Diante da afirmação do deputado Luis Miranda de que teria mais fatos a revelar à comissão de inquérito, os senadores decidiram ouvi-lo mais uma vez. A partir de dois requerimentos — dos senadores Rendolfe Rodrigues e  de Alessandro Vieira —, a CPI fará uma reunião reservada com o denunciante, que será tratado como testemunha, sob compromisso de dizer a verdade.

Caso Covaxin

Para Alessandro Vieira, o esquema do contrato da Covaxin não ocorreu de maneira isolada e, por isso, necessita de aprofundamento nas apurações. “Parece ser ‘modus operandi’ de um grupo atuante no Ministério da Saúde. Tudo isso, como sempre, em Brasília, vinculado a um apadrinhamento político. A CPI precisa aprofundar nessa área, lembrando sempre, a importância de se entender por que o Brasil perdeu tantas vidas. E quando você ouve especialistas falando, como a Jurema Werneck (diretora da Anistia Internacional) e o Pedro Hallal (epidemiologista e coordenador da EpiCovid), percebe-se que centenas de milhares de vidas poderiam ter sido salvas se o Brasil caminhasse na direção correta. Mas (o governo) escolheu o caminho errado”, comentou.

Prorrogação

O senador por Sergipe, também critica a demora da leitura do requerimento pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para prorrogar a CPI. “Ele se recusou ontem a fazer a leitura do requerimento. Disse que faria essa leitura só no mês de agosto. Não faz o menor sentido, não é isso que o regimento determina. Quando você apresenta o requerimento, as condições e as assinaturas, só cabe a ele fazer a leitura a prorrogação”, criticou.

Consórcio Nordeste 1

Na reunião dos membros da CPI da Covid realizada nesta quarta-feira, em que foram aprovados os nomes dos novos convocados para depor na comissão e a data, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) voltou a cobrar investigações sobre denúncias de irregularidades ocorridas no âmbito do Consórcio Nordeste. Já na abertura da reunião, ele pediu a inclusão de requerimentos sobre o assunto, entre eles, o da convocação secretário-executivo grupo, Bruno Dauster.

 

Consórcio Nordeste 2

“Ele precisa explicar os meandros que envolveram a contratação, com dispensa de licitação e com pagamento antecipado pelos estados consorciados, de 300 respiradores em face da empresa Hempcare Pharma Representações, que comercializa produtos à base da maconha, pelo valor de R$ 48,7 milhões”, afirmou Girão. O presidente Omar Aziz informou que vai agendar uma reunião deliberativa específica para análise de requerimentos, num dia em que não houver oitivas de testemunhas.

Ponto de vista 1

Nesse momento da política, o ex-governador Jackson Barreto (MDB) afirma à coluna que a sua preocupação é com a questão nacional. “Diante do quadro Bolsonaro, o quadro nacional é mais significativo do que o estadual. Pela gravidade profunda da questão nacional, a sucessão estadual tornou-se um assunto menos preeminente”, afirma.

 

Ponto de vista 2

“O rumo do país é o governo federal e os governadores sendo tratados da forma que estão sendo tratados parece que não vivemos em uma federação”, lamenta o ex-governador. “Está tão difícil que a situação nacional é mais importante neste momento”, reafirma JB.

Impeachment 1

O texto foi elaborado por um grupo de juristas e atribui a Bolsonaro 23 crimes de responsabilidade divididos em sete categorias: crimes contra a existência da União; crimes contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados; crimes contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; crimes contra a segurança interna; crimes contra a probidade na administração; crimes contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos; crimes contra o cumprimento de decisões judiciárias.

 

Impeachment 2

Entre os signatários do pedido estão ex-aliados do presidente, como os deputados Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joyce Hasselman (PSL-SP). Os partidos subscritores são todos do chamado campo da esquerda ou da centro-esquerda: PT, PCdoB, PSB, PDT, PSOL, Cidadania, Rede, PCO, UP, PSTU e PCB.

 

Veja essa…

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quarta, durante cerimônia de inauguração da Estação Radar de Ponta Porã (MS), a CPI da Covid. “Não conseguem nos atingir. Não vai ser com mentiras ou com CPI integrada por 7 bandidos que vão nos tirar daqui. Temos uma missão pela frente: conduzir o destino da nossa nação e zelar pelo bem estar do nosso povo”. Ele já havia chamado os senadores de “pilantras” após passeio de moto com apoiadores em Santa Catarina, no sábado (26).

  

CURTAS

O governo prorrogou até o dia 31 de dezembro de 2021 o regime especial de tributação para as empresas do setor atacadista. O setor emprega aproximadamente 11 mil pessoas e é responsável por 5% do PIB do estado. Segundo o governador Belivaldo Chagas (PSD) essa é mais uma medida de estímulo à economia neste enfrentamento à pandemia.

O deputado João Marcelo (PTC) retomou, nesta quarta, 30, os trabalhos na Assembleia Legislativa após recuperação da Covid-19.

O deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania) apresentará requerimento pedindo que a Alese inicie um debate sobre o retorno das aulas presenciais para todas as séries nas escolas sergipanas. Em discurso realizado na manhã desta quarta, disse que já passou da hora deste assunto ser conversado com as pessoas envolvidas nesta questão.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Luciano Bispo (MDB), fará a apresentação do Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável (PDES) 2020-2030, construído em parceria com a Fundação Dom Cabral. Será no próximo dia 7 de julho, às 15h, com transmissão ao vivo do site al.se.leg.br

Foi aprovado, nesta quarta, em redação final e segue para sanção do Executivo o Projeto de Lei da vereadora Sheyla Galba (Cidadania), que institui, em Aracaju, o Dia Municipal de Combate ao Câncer, que deverá ser celebrado anualmente em 30 de janeiro. O objetivo é ampliar o alerta à sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

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