Gualberto rejeita Moção de Aplauso ao ‘genocida’ Jair Bolsonaro

A Assembleia Legislativa aprovou esta semana uma Moção de Aplauso ao presidente da República Jair Bolsonaro, de autoria do deputado estadual Luciano Pimentel. O vice-presidente da Casa, deputado Francisco Gualberto (PT), votou contrário à moção e justificou dizendo que se trata de um presidente que está denunciado em órgãos internacionais por atentado à saúde pública nacional, por genocídio, em função de todo o seu comportamento nesse momento triste da pandemia do covid-19 no Brasil.

O autor argumentou que a moção se refere à promoção da senhora Ana Paula Simões Silva, cujo pai reside em Sergipe, ao cargo de Ministra de Primeira Classe. Diante disso, Gualberto pediu compreensão a Luciano e sugeriu um ajuste para que a moção fosse direcionada à homenageada, e não ao presidente da República, o que não foi aceito pelo autor. “A moção se refere ao presidente Bolsonaro, e não se dirige exclusivamente a homenageada, pela sua importância, sua atuação e sua promoção, então não tenho condição de votar favorável”, afirmou Gualberto.

O deputado salientou que nos últimos dias a imprensa nacional divulgou que uma Ata do Ministério da Saúde do dia 29 de maio desaconselhava a compra da cloroquina, por não ser um medicamento conveniente no combate ao covid-19, mas mesmo assim o presidente da República comprou 4 mil toneladas do insumo e não sabe onde vai jogar. Além disso, segundo Gualberto, a imprensa alerta para a falta de outros insumos em todos os hospitais brasileiros, como sedativos, relaxantes musculares e outros medicamentos que sem eles, “muitos sergipanos e brasileiros vão falecer nos hospitais porque os médicos não poderão fazer milagres”.

Francisco Gualberto também criticou a sugestão do Ministério da Saúde de transferir aos estados a responsabilidade pela compra dos insumos. “Isso não funciona para estados pequenos como Sergipe. O correto seria o MS fazer a compra centralizada, pois tem mais poder de barganha e intervenção, depois fazer a distribuição aos governos de Estados, mesmo que eles pagassem. Isso salvaria as vidas de milhares de brasileiros”, aponta o parlamentar.

“Em nome das vítimas do covid-19 que já se foram e de outras que poderão nos deixar em função da irresponsabilidade desse presidente da República diante do coronavírus, não posso votar a favor de uma moção de aplauso”, disse, fazendo uma analogia bastante significativa. “Imagine que alguém tenha assassinado 15 pessoas, e no último que assassinou ele fez um curativo, para evitar ser preso. Aí eu faço uma moção de aplauso àquele que cometeu os homicídios somente porque ele fez um curativo”.

Para Francisco Gualberto, o presidente faz a política do negacionismo numa pandemia, insultando e incitando a população brasileira a não usar a máscara, vetando um projeto aprovado na Câmara dos Deputados que obriga o uso em todos os estados. “Esse aplauso despreza a vida. Foram mais de 80 mil brasileiros mortos. E não sei nem quantos mais irão morrer. Minha posição é em defesa da vida”, sustenta Gualberto. Além dele, os deputados Iran Barbosa e Adailton Martins também votaram contra a moção, ambos utilizando os mesmos argumentos de Gualberto.

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