Festas Juninas: Perícia alerta para riscos de armazenamento irregular de fogos de artifício

As festas juninas são tradicionalmente associadas à fogueira acesa e à queima de fogos. Mas, neste ano há uma recomendação tanto do Governo do Estado, quanto do município de Aracaju para que tais práticas sejam evitadas. A recomendação visa cautela para que não haja acidentes e os feridos não venham a superlotar ainda mais os hospitais, que estão com um número significativo de pacientes em tratamento da Covid-19.
Além disso, há pessoas que estão em tratamento domiciliar e a fumaça pode agravar o estado de saúde delas. Em paralelo, existe também a preocupação com os locais inapropriados onde os fogos e rojões explosivos estão sendo armazenados. Os fogos de artifício em locais inadequados podem gerar explosões e incêndios de grandes proporções.
O mau uso dos fogos de artifício pode trazer problemas sérios à saúde. Esses itens podem provocar, além das queimaduras, surdez e amputações. Neste ano, o Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF) já recebeu o dobro da quantidade de explosivos apreendidos por armazenamento irregular em relação ao ano passado. “O principal problema de armazenamento irregular é a intensificação do risco de uma explosão acidental”, é o que enfatizou o perito criminal Nailson Correia.
Com relação à composição química dos fogos de artifício, o perito pontuou a toxicidade deles. “É de conhecimento público que os fogos de artifício estampidos produzem fumaça. Tem como componente principal a pólvora negra, além de sais clorados, salitres e enxofre. Esses elementos químicos são extremamente tóxicos, portanto, prejudiciais à saúde inclusive nesse momento que estamos vivendo de pandemia”, afirmou.
O laboratório analisa os componentes químicos presentes nos materiais e classifica-os em níveis de periculosidade e envia laudo para conclusão do inquérito policial.
Nailson Correia frisou que a responsabilidade das normas com relação aos fogos de artifício é do Exército. “A responsabilidade da edição das normas relacionadas a material explosivo é do Exército, regido através da norma R105. Esse delega à SSP e ao Corpo de Bombeiros, o poder de fiscalizar esse acondicionamento, transporte e a venda desses materiais”, explicou o perito.
Com relação à fabricação e embalagens, Nailson Correia relatou a importância da fiscalização. “Pois está tendo vendas de fogos de artifício, por exemplo em Aracaju, que através de decreto do município, essa venda é proibida”, declarou.
O perito ainda explicou que para que sejam comercializados, existe uma série de normas para evitar os perigos e riscos que envolvem o manuseio de fogos de artifícios. “Esse ano, em Sergipe, houve uma série de apreensões de materiais, que estavam sendo vendidos de forma irregular. A pessoa que quer confeccionar e vender, precisa estar dentro de regulamentos e portarias que normatizam a atividade com esses produtos de forma controlada, seja pessoa física ou jurídica”, citou.
“Na aquisição de um produto sem saber a procedência, as pessoas correm o risco de comprar um material inadequado e por causa disso sofrerem acidentes, tendo em vista que é um material explosivo e muito perigoso. As pessoas muitas vezes por desconhecimento da lei, acreditam que podem armazenar em suas residências ou em seu centro comercial, material pirotécnico ou explosivo. Por um acidente, uma área fechada pode intensificar a potência daquela explosão causando danos materiais e levando pessoas a óbito”, alertou o perito.
Além disso, legalmente, crianças e adolescentes não podem manusear esses materiais, mas o cenário no estado é diferente. “Existe, por exemplo, uma lei que impede o manuseio de fogos de artifícios por menores de 18 anos. Porém, é notório que, aqui em Sergipe, muitos jovens acabam sendo vítimas de acidentes devido ao manuseio desses fogos”, destacou.
O perito explicou também sobre os compostos presentes nesses materiais. “A pólvora negra é um dos propelentes mais utilizados em questão de foguetes. Em sua composição tem uma mistura de salitre, que é o nitrato de potássio, além do enxofre e do carvão. Muitas vezes se utiliza também o perclorato de potássio, que pode ser usado como propelente. Esses compostos químicos, se armazenados de maneira inadequada, podem causar danos a quem for manusear o produto”, pontuou.
Relação do risco com o uso do álcool
O constante uso de álcool nesse período de combate à Covid-19 também pode aumentar os riscos à saúde. “Nesse período, e com os cuidados com a assepsia e a limpeza, muitas pessoas estão usando o álcool líquido, que é o 70, é um combustível, que é bem mais volátil. O poder de inflamabilidade é maior do que o álcool em gel. Então, as pessoas ao acenderem uma fogueira ou ao manusear fogos, mesmo os pirotécnicos, podem estar elevando o risco ou de queimadura, ou de explosão”, ressaltou.

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