Eita governo!

Coluna Rita Oliveira – 16  maio

 

Não foi nenhuma surpresa o pedido de demissão ontem do ministro da Saúde, Nelson Teich, com menos de um mês no cargo.  Mesmo com tão pouco tempo à frente da pasta, ele vinha tendo atritos com o presidente Jair Bolsonaro, principalmente sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19.

Como o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, Teich defendeu publicamente posições contrárias às do presidente. Além de afirmar que o distanciamento social deveria ser uma medida de combate à pandemia do novo coronavírus — enquanto Bolsonaro defende que apenas pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento —, o então ministro postou em uma rede social nesta semana que o uso da cloroquina no tratamento contra a covid-19 deve ser feito com restrições, já que a substância pode desencadear efeitos colaterais. O presidente é um dos principais defensores da medicação.

É preocupante a saída do segundo ministro da Saúde em meio a uma pandemia do coronavírus, quando o Brasil já passa dos 14 mil mortos pelo vírus e é o sexto país no ranking mundial de casos.

Vários governadores já se manifestaram sobre esse cenário difícil em plena pandemia.  Todos criticaram o presidente Bolsonaro pelo clima de instabilidade no país por conta do vírus invisível e mortal e das suas ações impetuosas. O mais contundente foi o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ex-aliado do capitão.

Disse Doria: “O Brasil acorda assustado com as crises diárias de agressões a democracia, ao Congresso, ao STF, a imprensa, agressões a ministros do seu próprio governo. Como senhor fez e continua fazer. Fez com Bebbiano, com Santos Cruz, com Sergio Moro, fez com Mandetta e fez agora com Nelson Teich. Presidente, governe. Administre o seu país com equilíbrio, paz no coração, discernimento e grandeza. Pare com as agressões, de colocar o país em um caldeirão interminável de intriga. O país precisa estar em paz”.

O governador Belivaldo Chagas (PSD) não se manifestou publicamente sobre a demissão do ministro da Saúde.

Pelo andar da carruagem o presidente Bolsonaro – que não respeita as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) de isolamento social e considera o coronavírus como uma “gripezinha” –  representa a maior ameaça ao combate à covide-19 no Brasil. Sem falar que sai sem máscara, mantém contato com o povo e faz chacota do covid-19.

Já tem quem pense que por colocar em risco a vida de milhões de brasileiros nessa guerra contra o novo coronavírus é o próprio Bolsonaro quem precisa ser demitido do Planalto.

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Artilharia 1

A bancada federal de Sergipe se manifestou com relação a demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich. Afirmou Rogério Carvalho, líder do PT no Senado: “Dois ministros da saúde saem em meio à pandemia. Troca comando, troca equipe no Ministério, faltam testes, atrasa entrega de IPIs para hospitais, atraso na contratação de médicos… uma bagunça. Enquanto isso, 14 mil famílias choram perdas de seus familiares. Esse governo é assassino!”.

Artilharia 2

Prossegue o senador: “A saída do Nelson Teich aumenta o risco de morte do povo brasileiro. Bolsonaro se esconde na ilusão da cloroquina que não salva vidas! Mais uma vez reforçamos que a responsabilidade das milhares de pessoas doentes, e pior dos milhões de brasileiros mortos, é do presidente Bolsonaro!”.

Artilharia 3

Do senador Alessandro Vieira (Cidadania): “Bolsonaro não quer um médico para cuidar da saúde dos brasileiros. Quer um charlatão fanático. Ou um militar burocrático capaz de seguir ordens sem pensar. Dois ministros da saúde demitidos em plena pandemia não é só sinal de incompetência. É crime e está nas margens do homicídio”.

Artilharia 4

Do deputado federal Fábio Mitidieri (PSD): “Infelizmente, a queda do ministro da saúde já era esperada. Ele pregava as mesmas coisas do Mandetta, só que não era de se expor. Só que paciência tem limite. O limite da responsabilidade com a vida. Mas calma, já, já vem algum general por lugar e resolve tudo”.

Não esperava

A senadora Maria do Carmo Alves (DEM) diz que recebeu com surpresa o pedido de demissão de Treich nesse momento de pandemia, quando o país regista mais de 14 mil mortes. Alerta que que o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda apresenta curva ascendente no número de casos e pede que a população intensifique o isolamento social.

Defesa do isolamento

Para o ex-senador Eduardo Amorim (PSDB) o momento exige que a política seja colocada de lado e o enfrentamento à pandemia do Coronavírus seja prioridade. “O momento é tão grave que a política ficou para outra fase de nossas vidas. Primeiro precisamos vencer esse mal que está atingindo milhares de famílias não só em Sergipe e no Brasil, mas no mundo”, destacou, enfatizando a importância do isolamento social”, diz o ex-parlamentar que é médico.

Coronado

Na linha de frente do combate ao novo coronavírus, o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) acabou sendo infectado pelo vírus. Começou a sentir os sintomas no dia 1º de maio, tendo feito o teste e dado negativo. Voltou a fazer o teste após sua enteada ter testado positivo nesta semana, dando positivo ontem. Disse que está sem sintomas, apenas com uma pequena tosse. E que vai cumprir a quarentena em casa, tomando muito líquido, reforçando a alimentação e tomando todas as precauções. Garante que continuará trabalhando no combate a covide-19.

Preocupação 1

Edvaldo lamenta uma grande movimentação nas ruas da capital. “Isso acarreta no aumento de casos em Aracaju. Temos fiscalizado e atuado pela cidade, mas precisamos da colaboração das pessoas para que só saiam se for necessário”, apela.

Preocupação 2

O governador Belivaldo Chagas, que testou negativo ontem para o novo coronavírus e segue no isolamento social na sua terra natal Simão Dias, pediu ontem, encarecidamente, para que as pessoas façam a sua parte e fiquem em casa. “Se o número de casos positivos na grande Aracaju está grande, imagine o número de infectados assintomáticos”, declara, lamentando o fato de ainda ver muitos carros nas ruas, algumas aglomerações e falando da necessidade das pessoas terem consciência da pandemia.

Lockdown

Belivaldo reafirmou ontem que um lockdown para conter o número de casos de coronavírus, se vier a acontecer em Sergipe, será setorizado e previamente anunciado, com todas as especificações necessárias de funcionamento dos serviços. Enfatizou que o governo está preparando a Polícia Militar e a Polícia Civil para qualquer tipo de baderna que seja feita nos municípios, de gente que por acaso esteja se aproveitando das medidas de isolamento para fazer bagunça no interior.

Apoio

Ressaltou que só vai tratar do plano de retomada da economia quando a curva de crescimento dos casos de coronavírus em Sergipe parar de subir. “Precisamos ter respeito com as pessoas que estão ficando doentes”, afirmou o governador, que ontem recebeu o apoio do presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços de Sergipe (Fecomse), Ronildo Almeida, pela postura em manter o isolamento social no Estado e não aceitar a pressão do empresariado sergipano para abertura imediata do comércio num das fases mais críticas da pandemia do coronavírus.

Expectação 1

É grande a expectativa dos sergipanos com relação ao novo decreto que o governador baixará na próxima segunda-feira, 18, com novas medidas de combate ao novo coronavírus.  Em razão da pressão dos empresários.

Expectação 2

Também é grande a expectativa se ocorrerá nesse domingo, 17, uma carreata pró-Bolsonaro programada para às 15h, com concentração nas proximidades do supermercado Extra, em Aracaju. É que o Ministério Público de Sergipe enviou ofício à Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE) solicitando a identificação dos organizadores e pretensos participantes mediante a proibição de qualquer evento ou ato de concentração de pessoas para evitar a contaminação da covid-19. A pena de multa diária é de R$ 5 mil.

Na gestão

A coluna tem informações que o prefeito Edvaldo Nogueira fechou com o ex-deputado estadual Robson Viana a Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte. E que já na próxima semana será nomeado para comandar a pasta Ari Leite, ex-presidente da Emsetur, por indicação do ex-parlamentar.

Toque de recolher

Mais um município de Sergipe decretou toque de recolher à noite por conta da pandemia da covid-19: o de Graccho Cardoso. Agora são seis os municípios em que a população é obrigada a ficar em casa no período noturno. Os outros cinco são: Gararu, Porto da Folha, Poço Redondo, Poço Verde e Canindé do São Francisco.

Questionário

Na próxima segunda-feira, 18, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) dará início à aplicação de questionários voltados aos municípios sergipanos a fim de calcular o Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM/2020). As informações que serão solicitadas remetem ao desempenho das gestões no ano de 2019, nas áreas de Educação, Saúde, Planejamento, Gestão Fiscal, Meio Ambiente, Cidades Protegidas e Governança em Tecnologia da Informação.

Retroespectiva1

O oncologista Nelson Teich, exonerado ontem do Ministério da Saúde, é o sétimo ministro a deixar o governo federal e não ocupar novo cargo. No período de apenas um mês, o presidente Bolsonaro perdeu três ministros: Luiz Henrique Mandetta (Saúde) em 16 de abril; Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) em 24 de abril, e, ontem, Teich.

Retrospectiva 2

Menos de dois meses após tomar posse, Bolsonaro demitiu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL). Pouco mais de três meses após a posse, Bolsonaro anunciou a saída de Ricardo Veléz Rodriguez do Ministério da Educação. O terceiro ministro a deixar o governo foi o general Carlos Santos Cruz da Secretaria de Governo, pouco mais de cinco meses depois de o presidente ter assumido o cargo.

Retrospectiva 3

No mesmo mês, Bolsonaro retirou o general Floriano Peixoto do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência e o realocou nos Correios. A saída do general, que assumiu no lugar de Bebianno, foi a segunda troca na pasta em menos de seis meses de governo.

Retrospectiva 4

A primeira troca deste ano aconteceu no Ministério do Desenvolvimento Regional, até então ocupado por Gustavo Canuto. Há três meses, Bolsonaro anunciou a saída de Osmar Terra do Ministério da Cidadania e sua substituição por Onyx Lorenzoni. A Casa Civil, até então comandada por Onyx, passou ao general do Exército Walter Souza Braga Netto.  Mandetta foi demitido do Ministério da Saúde no dia 16 de abril. O penúltimo ministro a deixar o governo foi o ex-juiz Moro, que comandava a Justiça e Segurança Pública.

Veja essa…

Do senador Rogério Carvalho: “Ironia do destino: Moro reclamando de disparidade de armas, pois a AGU teve acesso ao vídeo na íntegra, mas sua defesa não. Logo um ex-juiz que ficou conhecido por atropelar o processo legal, grampear a defesa do ex-presidente Lula, coagir testemunhas… Injustiça dói né Moro?”.

CURTAS

 

O prefeito Edvaldo Nogueira demonstra preocupação com o fato da Caixa Econômica voltar a pagar, a partir da próxima segunda-feira, o auxílio emergencial do Governo Federal por conta da aglomeração. “Estamos estudando adotar medidas mais rigorosas. Fizemos a pintura nas ruas próximas, mas vamos buscar a Caixa para evitar as aglomerações”, diz.

A filha do deputado Fábio Mitidieri, Ana Célia, foi testada positivo para o coronavírus após a família ter feito o teste. “Ela está bem e até aqui, assintomática. Nós estamos todos em isolamento e orando pela sua pronta recuperação. Deus no comando sempre!”, disse o parlamentar.

Do ex-ministro da Saúde, Mandetta, sobre a demissão do seu sucessor  Tech: “Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé! #FicaEmCasa”.

Do ex-ministro da Justiça, Moro: “Cenário difícil, em plena pandemia, 13993 mortes até ontem [quinta-feira]. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros”.

Do ex-presidenciável Guilherme Boulos: “Tech é o segundo ministro da Saúde demitido em menos de um mês. E o Brasil avança como um dos países com maior mortalidade pelo coronavírus. Parece que quem precisa ser demitido é o presidente”.

 

 

O Brasil ultrapassou os 14 mil óbitos por Covid-19 nessa quinta-feira, 15, mesmo dia em que o segundo ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro deixou o cargo após apenas 27 dias no comando da pasta.

Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde  na noite de ontem mostra que há no total 14.817 mortes registradas por coronavírus no País e 218.223 casos confirmados. Em Sergipe são 50 óbitos e 4.925 casos.

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