O novo dilema de Belivaldo

Coluna Rita Oliveira – 14 abril

A pandemia do novo coronavírus (covid-9) continua avançando no país. Até ontem à noite dados do Ministério da Saúde mostravam que já são 1.328 mortes no país, com 23.430 casos confirmados de pessoas infectadas pelo vírus, o que mostra um crescimento de 9% nos casos de mortes e um aumento de 6% no número de casos com relação aos dados do domingo, 12.

Em Sergipe os casos de pessoas infectadas estabilizou no final de semana com a permanência de 44 casos confirmados e quatro óbitos. Somente ontem foi confirmado mais uma pessoa contaminada com o vírus em Aracaju, elevando para 45 os casos no estado.

Assim é grande a expectativa do novo decreto que o governador Belivaldo Chagas (PSD) deve baixar na próxima quinta-feira, 16, após reunião do Comitê de Crise. Isso porque o decreto que está em vigor até essa sexta-feira, 17, estabelece isolamento social com comércio, shoppings, colégios, universidades, academias, cinemas, bares e restaurantes fechados, só funcionado os estabelecimentos comerciais que prestam serviços essenciais.

Servidores públicos estão também no isolamento social, trabalhando apenas em sistema de rodízio os que prestam serviços essenciais ao funcionamento da máquina pública.  Os demais continuam trabalhando em home office, como vários segmentos da sociedade.

Em Alagoas vai até dia 20 de abril decreto do governador Renan Filho com medidas que põe o Estado em isolamento. Ele reafirmou que as aulas nas escolas públicas e privadas continuam suspensas até 30 deste mês e os servidores públicos estaduais continuam em regime de teletrabalho até o próximo dia 20.

“As medidas de isolamento e de prevenção têm colaborado para redução do número de contágio em curto prazo. Nós renovamos o decreto em muitos itens. Alguns poucos itens foram flexibilizados para atender segmentos específicos para funcionar”, disse Renan Filho quando renovou o decreto em vigor.

Já em alguns poucos estados o comércio saiu do isolamento e está funcionado por drive thur ou por entrega domiciliar.  O Rio de Janeiro, desde o último dia 7, é um dos estados cujo governador Wilson Witzel (PSC) flexibilizou as restrições de isolamento social contra o novo coronavírus, permitindo que o comércio opere em atendimento por drive thru ou por entrega domiciliar.

Agora é aguardar a reunião do Comitê de Crise na quinta-feira para sabermos qual a posição do governador Belivaldo, após análise do quadro de pandemia em Sergipe e no país. Haverá flexibilização ou não?

Até ontem a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) continua sendo em defesa do isolamento social, para ficar em casa. Já empresários de vários segmentos, com seus estabelecimentos fechados e no prejuízo, defendem a reabertura do comércio com medidas para evitar a propagação do vírus Covid-19 e preservar a saúde dos clientes e colaboradores.

Trocando em miúdos, Belivaldo tem um grande dilema pela frente: se vai acatar a recomendação da OMS, que é em defesa da vida, ou flexibilizar para atender empresários e não quebrar de vez a economia do estado, garantindo o emprego de muitos.

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Apelo dos empresários 1

Ontem entidades de classe empresariais, como Fecomércio, Acese, CDL, Asseopp e Abrasel, enviaram carta ao governador Belivaldo Chagas (PSD) e ao prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), propondo sugestões para medidas que podem ser adotadas para reabertura do comércio. Os empresários sugerem que o comércio seja aberto de segunda a sexta-feira, com atendimento exclusivo para grupos de risco das 9 às 11 horas e das 11 às 17 horas para o público em geral. Já no sábado que o atendimento seja exclusivo para grupos de risco das 9 às 10h30 horas e das 13 horas para o público em geral.

Apelo dos empresários 2

Na carta, que também é assinada pelo deputado federal Laércio Oliveira como presidente da Fecomércio, os empresários garantem a adoção de algumas medidas de segurança sanitária para prevenção ao coronavírus. Entre elas: que lojas se responsabilizem pelo controle de acesso do público para evitar a aglomeração de pessoas; que só possam funcionar com a capacidade máxima de uma pessoa por 5 m²; que sejam obrigadas a colocar na sua entrada de forma visível a quantidade máxima de pessoas que poderão estar na loja ao mesmo tempo; uso de EPI’s para os vendedores e atendentes e álcool 70% nas dependências dos estabelecimentos; higienização para as maquinetas de cartão; que seja obedecido a distância de 2 metros entre os colaboradores, assim como a demarcação do distanciamento mínimo nas filas de caixa.

Apelo dos empresários 3

Ainda na carta os empresários solicitam que o poder público possa adotar algumas medidas. São elas: criação de um plano de contingenciamento para o funcionamento do comércio de rua que incluem como adoção de medidas sanitárias como a higienização de ruas; que as Prefeituras, através dos órgãos competentes e da sua estrutura operacional, façam um esforço para fiscalizar o acompanhamento das normas; que agentes da assistência social verifiquem se existe a circulação de pessoas acima dos 60 anos; disponibilização de postos de álcool gel para a população; reforço a segurança permanente na área do Centro Comercial com a presença da Polícia Militar e da Guarda Municipal; colocação de cercas de isolamento para controlar o fluxo de pessoas, de equipes de enfermagem em diversos pontos para medir temperatura e de pontos para higienização das mãos.

Apelo dos empresários 4

Para o segmento de bares e restaurantes os empresários propõem medidas de segurança sanitária. Entre elas: controle do número de acesso de clientes em seus estabelecimentos, evitando aglomerações; manter o distanciamento de mesas em no mínimo dois metros; disponibilização de álcool gel 70%; treinamento dos funcionários e utilização de luvas e máscaras; todos os clientes deverão higienizar as mãos ao entrar no estabelecimento, dando prioridade pertencente ao grupo de risco.

No STF

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) entrou ontem com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a votação da  proposta de emenda à Constituição (PEC) do orçamento de guerra.  Ele não faz questionamentos sobre o mérito da proposta, que segrega cerca de R$ 700 bilhões do orçamento para ações de combate ao coronavírus, mas afirma que é invalidada a alteração de pontos da Constituição por meio de votação virtual.

Câmara aprova ajuda aos estados 1

Plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite ajuda financeira da União a estados, Distrito Federal e municípios para compensar a queda de arrecadação do ICMS e do ISS deste ano em relação a 2019 por conta da  pandemia de Covid-19. A matéria, que será enviada ao Senado, foi aprovada por 43 votos a 70.

Câmara aprova ajuda aos estados 2

Os recursos, na ordem de R$ 80 bilhões, serão entregues de maio a outubro e se referem à diferença de arrecadação, quando houver, entre os meses de abril a setembro dos dois anos. Assim, por exemplo, se em setembro não for verificada queda de arrecadação, não haverá repasse.

Reação contrária

O relator do Projeto de ajuda federal a estados e municípios, Pedro Paulo (DEM-RJ), reagiu à informação de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai sugerir ao presidente Jair Bolsonaro que vete a proposta, caso seja aprovada no Senado. “Eu não acredito que o presidente terá a insensibilidade de vetar uma proposta dessas”, afirmou, enfatizando que Bolsonaro deve ser informado sobre as consequências de acatar o pedido de Guedes,  já que pode resultar em fechamento de hospitais e UPAs 24 horas.

Criando Comitê de Crise

O presidente da Câmara de Vereadores de Aracaju, Nitinho Vitalle (PSD),  está formando um Comitê Gestor de Crise para estudar, junto à Mesa Diretora, a necessidade da adoção de novas deliberações para o enfrentamento da crise do novo Coronavirus no Parlamento Municipal. Nitinho já cortou 100% da verba indenizatória destinada à contratação da prestação de serviços de assessoria técnica, como de imprensa e jurídica; contrato de locação de veículos e escritório; e gasto com combustível.

Veja essa…

Hoje, o cenário nacional aponta uma incidência média de 111 contaminações pelo coronavírus para cada 1 milhão de habitantes. Em 12 capitais, o volume de contaminações está acima dessa média. É o caso de Fortaleza (573), São Paulo (518), Manaus (482), Macapá (391), Florianópolis (345), Recife (339), São Luis (302), Rio de Janeiro (297), Vitória (279), Porto Alegre (210), Brasília (204) e Boa Vista (175). Em outras seis capitais, a situação é de “atenção”: Curitiba (156), Natal (154), Rio Branco (147), Belo Horizonte (141), Salvador (126) e Belém (113). As demais nove capitais têm incidência de casos abaixo da média nacional. É o caso de Cuiabá, João Pessoa, Goiânia, Campo Grande, Aracaju, Palmas, Porto Velho e Maceió.

CURTAS

Do senador Alessandro Vieira: “A luta entre ciência e ignorância é eterna. A Inquisição obrigou Galileu a renegar a descoberta de que a terra se move entorno do sol. Sua frase eppur si muove ficou como registro sutil de que fatos reais não são mudados por opiniões ou força. Mandetta [ministro da Saúde] também lembra isso a Bolsonaro”.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) inicia hoje a realização das suas sessões no ambiente virtual. A novidade se insere no contexto de medidas adotadas pela instituição para manter o efetivo controle dos gastos públicos nesse período de pandemia do coronavírus.

Prefeitura de Aracaju contratou mais de 200 profissionais da saúde para enfrentamento do coronavírus.  Adiantou o PSS da Saúde e o chamamento público adiantamento para contratação imediata de profissionais médicos.

O 2º Levantamento Rápido do Índice de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) de 2020, que mede a presença das larvas do mosquito em Aracaju, foi divulgado ontem pela PMA. O segundo LIRAa do ano constatou que, dessa vez, houve um aumento de 0.9 para 1.6 entre os meses de janeiro e março.

 

Na semana passada o prefeito Otávio Sobral (Itaporanga D´Ajuda) não entregou o kit alimentar (peixe, arroz e coco) da Semana Santa as famílias carentes, como é tradição no município, alegando a necessidade de evitar aglomeração nesse momento de pandemia do covid-19.  Todavia, no sábado de Aleluia, o prefeito participou de uma boa farra com a esposa, secretária municipal de ação social, e amigos. Foi uma aglomeração e sem os cuidados de distanciamento.,assim como um péssimo exemplo nesse momento de  coronavírus.

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